sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

10.000Km e um cabo de embraiagem.

Nada como ver os Km a passar no conta quilómetros e saber que a nossa menina está de boa "saúde". 

Aos 6.000Km e qualquer coisa o cabo da embraiagem partiu. Nesse dia ia a caminho do trabalho e acabadinho de sair da garagem... meto a primeira velocidade... seguuuuunda... terceira, pumba. Olha, partiu! Ficara sem velocidades. Desligo a vespa dou meia volta e embalado volto a estacionar no lugar. Nesse dia fui de carro e com um sorriso pensei na minha sorte.

No final da tarde, aproveitei para comprar um cabo de embraiagem. À noite lá fui para a garagem pôr mãos à obra. Ao fim de hora e meia e alguns palavrões, lá acabei por desistir. Não consegui acertar com o buraquinho. Mandei a Leia para a oficina e levaram-me 25.00€. Senti-me frustrado. Para a próxima nem que esteja um dia inteiro, terei de conseguir fazer o trabalho sozinho. Quando voltamos a rolar fomos até ao Douro.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

A importância da proteção dos olhos

Imaginem-se numa bela manhã de sol com algumas nuvens a salpicar o céu azul e a conduzir a vossa Vespa pelas belas estradas do nosso País. Aos poucos vão deixando para trás a azáfama da cidade e acabam por entrar numa zona rural, onde apenas se ouve o ronronar do motor que corta a melancolia do chilrear dos pássaros e grilos (sons do campo). Contemplam a paisagem, árvores de cores esplêndidas, o ar puro e fresco enche-vos os pulmões, sentem o frio de uma leve brisa na cara e começam a sentir uma lágrima a correr para a orelha devido à velocidade... concentrados na humidade ouvem um BZZzzzz... e pumba, um insecto de proporções médias acerta em cheio num olho, instintivamente o fecham e ficam a ver luzinhas... e logo em seguida levam com outro na testa como se tivessem a ser um alvo desses pequenos "abelharucos". Apressadamente param a mota, felizes por não terem caido, ao fim de alguns segundos de palavrões, insultos e esfreganços de aflição, pensam... - porquê que não coloquei os meus óculos!?

Pois bem, a proteção dos nossos olhos enquanto conduzimos é fundamental. Proteger os olhos de poeiras, vento e bicharada é indispensável. Sò temos dois olhos! Se nos acertam na cara... isso aguenta-se bem. Agradeci muitas vezes por ter os meus goggles colocados, sendo estes um acessório fundamental quando vou passear com a Leya.  

Nesta imagem, ainda se consegue ver no canto inferior esquerdo e superior direito da lente o tamanho destes bichos que me tentaram pôr abaixo da Vespa quando fiz a Estrada Nacional 2.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

4ª Parte - Chaves/Faro pela belíssima EN2 - O final

Após uma breve revisão, tal como colocar óleo no autolube e uma verificação de luzes, arrancamos até uma oficina ali mesmo em Abrantes. A vespa do João estava a precisar de um aperto na roda traseira, estava folgada. 
O Carlos e o Rui trocaram as lâmpadas fundidas traseiras...

Eu decidi ir tomar um café porque a minha menina estava a aguentar-se lindamente, não deu mostras de fraqueza. 😉

Arrancamos e ainda se sentia a frescura da manhã. Passamos pelos verdes campos que ladeavam a N2. Obrigatoriamente nova paragem na Bemposta ainda no concelho de Abrantes, os suportes da mala na vespa do Rui precisavam de solda. Foi coisa rápida, em menos de meia hora ficou tudo seguro. A estrada nacional passa mesmo ao lado da escola de Aviação Civil no Aeródromo de Ponte de Sôr, veio-me à ideia o filme "TOP GUN" enquanto percorria a estrada e a pista mesmo ao lado 😎 A próxima paragem foi para abastecer logo a seguir à barragem de Montargil.


Após um café e de motas atestadas, voltamos novamente à estrada. Estávamos a aproximadamente a 37km de distancia do Km 500. O calor do Alentejo já se fazia sentir, assim como os pequenos insectos que batiam no capacete e nos meus óculos como "Kamikazes" (nome dado aos pilotos de aviões Japoneses cuja missão era realizar ataques suicidas) eram como balas quando me acertavam na testa e na cara.

Chegamos por fim à pequena freguesia de Ciborro.
Umas fotos da praxe no marco do Km 500.

Para os curiosos sobre a E.N. 2 vale a pena ler aquele cartaz. (ampliem a foto)

O único bar que encontrei, com uma decoração característica de quem anda na estrada, a fazer lembrar os bares da Route 66, foi nesta localidade. Está com um decoração típica de motards e viajantes fazendo referência a todos os que percorrem a E.N.2

Comprei lá um autocolante que coloquei dentro do porta luvas. Baptizou a minha Vespa no que se insere no mundo dos autocolantes. A paragem foi breve mas, serviu para nos refrescar com uma bebida e voltamos logo ao caminho.
Estávamos a uns cinquenta e poucos quilómetros da próxima paragem. A fome já apertava e o pulso direito já precisava de descanso. Ansiava desesperadamente pela hora de almoço.

O almoço viria a ser em Alcáçovas no Restaurante "Sabores da Vila". estava um calor abrasador típico do Alentejo. Nada como um jarro de vinho branco fresquinho e um coelhinho frito com batatinhas para saborear e descansar... Aproveito para informar que dei 4 estrelas a este restaurante no google. 😉

Chegara a altura de nos fazermos à estrada, estava um calor infernal. Que bem que soube levar com a aragem quente enquanto rolávamos pelas longas rectas Alentejanas, ladeadas pela imensidão dos campos de cultivo e algum arvoredo. Vi campos a perder de vista de girassóis, cegonhas, garças, aves de rapina, melros a esvoaçar repentinamente na minha frente, cavalos, vacas, cabras, ovelhas, insectos esborrachados nas lentes dos meus óculos... Nunca tinha atravessado o Alentejo verdejante nesta altura do ano. Após uns bons quilómetros, paragem obrigatória para aliviar.

Tínhamos de encontrar uma bomba de gasolina urgentemente. A vespa do João bebia bastante e estava em breve a ficar sem gota. Paramos em Ervidel-Aljustrel na emblemática área de serviço da Galp. Já muito poucas existem de estilo arquitectónico da década de cinquenta/sessenta. Estes antigos postos serviam os locais e os viajantes, para quem percorria longos quilómetros podiam fazer pequenas revisões nas viaturas, usar o telefone e levantar ou deixar as suas encomendas e até o seu correio. Enfim, coisas do passado.
 Área de serviço de Ervidel

 Abastecia a minha antiga Vespa FL2 naqueles reservatórios de mistura pré feita. 😕

Para uma recordação futura.

Depósitos atestados, seguimos viagem. Ainda tínhamos muito caminho pela frente, incluindo a Serra do Caldeirão. Tanta casa bonita pintada a duas cores! Branco e azul eram as cores predominantes na maioria das casas mas, também havia algumas casas de faixa amarelo torrado.
Portugal é esplêndido de norte a sul. 

Para passar melhor o tempo, quando me vinha uma música à cabeça trauteava-a pelo caminho enquanto ziguezagueava na brincadeira pelas longas retas da estrada. Chegados a Beja à pequena Vila de Almodôvar estacionamos as Vespas mesmo em frente à esplanada para acabarmos a beber e a comer qualquer coisa.
 Um bonito mural na mesma rua onde descansamos.

Beja - Amodôvar 17.00h na esplanada de um bar sem preocupações.

Colocados os motores a ronronar, arrancamos calmamente deixando para trás a pequena Vila rasgada pela N2. Próxima etapa, Serra do Caldeirão mesmo à nossa frente. O final de tarde tornara-se ventoso e fresco, por esse motivo aguardava a próxima paragem para vestir um casaco uma vez que atravessara o Alentejo todo em T-Shirt. 

Este troço, como tantos outros, requeria um pouco mais de atenção devido às curvas e contracurvas apertadas que não permitiam grandes velocidades. Chegamos por fim ao topo da Serra do Caldeirão.
Cito Antoine de Saint-Exupéry para definir o que sinto quando pego na minha Vespa. 

Da esquerda para a direita: Eu o João e o Carlos


 Da esquerda para a direita: Eu, a vespa do Rui e o Carlos.

De volta à estrada tomamos o rumo para a que viria a ser a nossa última paragem, Faro.
Foi mais uma série de curvas e contra curvas com uma paisagem lindíssima como companhia. Desde o início da aventura que vários motards se cruzaram por nós, tanto para norte como para sul. Nunca imaginei a imensa procura turística que esta estrada tem! Basta ser a maior da Europa e é Portuguesa. 😉

Nas últimos quilómetros, senti uma sensação de infelicidade/pena. Sabia que dentro de pouco tempo a aventura iria acabar. Tinha vontade de percorrer muitos, mas muitos mais quilómetros, seguir para Marrocos ou até mesmo rumar a Itália. Quem sabe um dia...

 As 4 Gloriosas no Km 738

Este marco, foi recolocado em Maio de 2016 de forma a valorizar a rota da mítica Estrada Nacional 2

O Carlos fez questão em colocar o autocolante do seu Clube nos marcos do Km 0 e, como não poderia deixar de ser, no Km 738 como tantos outros o fizeram. Muitos pensam que a Estrada Nacional 2 termina neste marco mas, estão muito enganadinhos! Ainda nos restavam 500 metros que se estendem pela Rua do Alportel. Esta mesma Rua impede-nos de seguir em frente nos últimos metros devido ao sinal de proibição, o trânsito passa a ser de sentido único ao contrario da nossa direcção. Percebe-se o porquê de muitos decidirem começar a N2 em Faro e terminar em Chaves (desta forma, o caminho segue a direito). 

Contornamos o quarteirão e... damos por finalizada a nossa etapa no Km 738.5 da E.N. 2

Todos tiramos fotografias no local com a felicidade de missão cumprida. Seguimos para a Pousada da Juventude de Faro onde iríamos pernoitar.
Uma breve revisão à pressão do ar dos pneus e deparamo-nos com uma carecada impressionante no pneu traseiro tanto da minha princesa como na Vespa do João. 
O Rui e o Carlos prontificaram-se em ajudar a trocar depois do jantar.
E eu agradeci! Era a primeira vez que a Leya trocava um pneu. Assisti à delicada operação que se veio a mostrar fácil com duas pessoas a ajudar e outra (eu) a segurar o telemóvel e a dar indicações de precaução para não riscarem nada e deixarem tudo bem apertado e direitinho ao estilo de engenheiro de obras públicas. 😏
Encontrado o melhor local, "pusemos" mão à obra.

 O porta couves também tinha os parafusos soltos, levaram todos um aperto.

Acredito que tenha sido o calor da estrada que tenha contribuído para o pneu chegar a este estado.

Próxima compra será duas jantes Tubeless com uns Michelin S83. A marca do pneu também tem a sua culpa. Ainda tenho os pneus de origem. 😒 Também gosto de andar com uns sapatos confortáveis e a Leya também deve de gostar. Acima de tudo, a segurança.

Após uma de letra e uns copos na marina, fomos dormir. Alguém ressonou bastante naquela noite. Fizemos o caminho de volta para Abrantes, desta vez intercalamos entre outras estradas. A caminho de Coimbra apanhamos com chuva. Quando lá chegamos fomos ao leitão. O joão despediu-se antes por isso não sabe o que perdeu. Final do almoço cada um seguiu o seu rumo. Eu apanhei o IC2 e vim direito a casa.

Foram fortes os motivos que me levaram a fazer a EN2 desde a perda de uma pessoa muito querida (conhecia muito bem as estradas de Portugal e Europa), à enorme curiosidade que esta estrada me despertou. Por motivos fortes tive de me afastar um pouco aqui do blogue. 
Tentei fazer o video para fechar este post, mas ainda não o consegui acabar por falta de disponibilidade, fica para mais tarde. Contudo deixo uma amostra pequenina. 



sábado, 30 de junho de 2018

3ª Parte - Chaves/Faro pela belíssima EN2 - Chaves o início

Às 08:00h estava prevista a nossa saída de Chaves mas 5 minutos depois, da hora marcada, recebo uma chamada do Carlos a avisar que estão atrasados. Estavam parados em Vidago a tentar arranjar uma das vespas que tinha avariado. "Aguardei pacientemente" e fui até à ponte de Trajano.
Chaves
Estar em Chaves e não tirar uma foto nesta ponte é como se lá não estivesse estado!

Volto ao Km 0 e de pessoal nada... Fui atestar o depósito da Vespa e decido ir ter com eles, caso necessitassem de ferramentas, eu, sempre tinha algumas para emprestar. 
As últimas gotas de gasolina a cair no depósito, são as que dão mais potência ao motor. 😉 

Ao fim de 16km lá os encontrei esperançados de volta do agarranço da PX preta. O dono tinha vindo propositadamente de Lisboa para esta aventura que não chegou a iniciar.
Chamou-se o reboque. Colocou-se os autocolantes dos patrocínios e do Vespa Clube de Vila Real na Leia e com uma baixa no grupo, seguimos para o Km 0 onde foi tirada a foto da praxe
O meu primeiro grupo vespista. O Rui ao centro e o Carlos à direita. O da esquerda é muito parecido comigo!

A rapaziada foi meter gota, de seguida aprumamos o nariz das vespas para Sul. Siga rumo a Abrantes, já estávamos com 2 horas de atraso. Decidiram que eu iria na frente a liderar, e assim o fiz. À passagem pelo Alto Douro Vinhateiro não resisti em abrandar para olhar aquela magnifica paisagem. É digna de ser apreciada com calma. O calor já se fazia sentir, estava um dia magnifico para andar na estrada. Ao rolar pela EN2 é perceptível a que velocidade devemos fazer aquela curva, espetáculo! A primeira paragem para café e despir o casaco foi em Santa Marta de Penaguião.

De volta à estrada, só paramos para almoçar num restaurante à beira da estrada. O prato preferido é o arroz de feijão com salpicão. Fica na localidade de Mézio/Eido/Castro Daire/Viseu. Ainda bem que paramos, pois tinha acabado de entrar um bicharoco para dentro do capacete. Como entrou, não sei! Mas, já estava a rabiar perto da orelha, e apetecia-me coçar o capacete, só pedia para que não me ferrasse ou entrasse para o ouvido...

De barriga cheia, tomamos rumo a Viseu. Saímos do percurso passando pelo centro da cidade para abastecer, tiramos uma foto em frente à Igreja dos Terceiros de São Francisco no Parque Aquilino Ribeiro. Desde o inicio da viagem que mantivemos uma velocidade média de 70Km/h. 
Até ver a minha Leia e as restantes vespas têm se comportado lindamente. Após o breve descanso de pernas e pulsos, voltamos à EN2. A próxima paragem foi na albufeira do Rio Mondego que separa Viseu de Coimbra. 
A paisagem era lindíssima mas, o estrago dos fogos tem uma extensão de quilómetros a perder de vista. O país está desolado pela enorme área ardida. Uma tristeza, ainda se sentia o cheiro da floresta queimada. Imagino como seria lindíssimo o caminho a ser feito pela verdura das florestas e dos campos... 
Seguimos para Góis onde nos encontramos com o 4º elemento que passou a fazer parte do grupo. O João já estava à nossa espera, na beira da estrada, já fazia um bom tempo. Tinha com ele uma Vespa 150 Super, toda restauradinha, bonita. 
Confesso que quando chegamos e vi a vespa, soltei uma gargalhada. Fiquei contente por encontrarmos o /4º elemento e lembrei-me do famoso "azul cueca" que o Hugo cultiva na Horta das Vespas. Dá para se ouvir a minha gargalhada no excerto do video. 

Chegada a Gois - Encontro com o João

Para uma breve troca de palavras, descansamos um pouco e pedimos umas "bjecas" para refrescar.
De volta à estrada, seguirmos para o nosso destino. A 150 Super ia na frente e puxava muito bem por nós para a idade que tinha... 

João e Carlos

Pelo ziguezaguear da N2 entre as variadíssimas serras, acabamos por chegar ao ponto central do nosso País em Vila de Rei na Serra da Meiriça. 
Imagem de WikipédiA

Escusado será dizer que foi Paragem obrigatória no Centro Geodésico de Portugal Continental. Já não tinha bateria no telemóvel, pelo que tive de pedir as fotos emprestadas ao pessoal.
Faltavam cerca de 30Km para Abrantes e estávamos no final da tarde. De volta à estrada só paramos na Pousada da Juventude de Abrantes, onde iríamos pernoitar.
Castelo de Abrantes

O dia tinha sido exaustivo para mim. Foi sem dúvida uma experiência e aventura única. Eu e a Leia tínhamos percorrido 768 Km num só dia. A resistência da minha PX125 estava mais que provada. Nenhum problema, basta pôr óleo e gasolina que nós os dois percorremos o mundo! 😊

A Estrada Nacional N.º 2 sofrera algumas alterações. Em certos locais tivemos de ir por estradas alternativas mas sempre com o intuito de respeitar e seguir ao máximo o percurso da N2. Paisagens de cortar a respiração de encanto e beleza. Até aquele momento estava a adorar a experiência. 

Jantamos todos num restaurante, no centro da cidade, onde nos ofereceram o vinho. 😉
A rapaziada era boa companhia! Pusemos a conversa em dia, rimos e bebemos juntos. Demos uma volta por Abrantes à noite e fomos descansar, no dia seguinte tinhamos a ultima etapa do percurso, Abrantes/Faro.

Pôr do sol em Abrantes



quarta-feira, 23 de maio de 2018

2ª Parte - Chaves/Faro pela belíssima EN2 - A Grande Aventura


A malta do Vespa Clube de Vila Real, conseguiu arranjar patrocínios mas, apenas coloquei na minha chapa os que contribuíram/patrocinaram a minha viagem.
  • 3 Garrafas de Óleo 
  • 1 Câmera de ar 
  • 1 Vela 
Os meus agradecimentos ao Vasco e à Global Racing Oil!

Estava indeciso se arrancava para Chaves na véspera às 20.00h ou se deveria fazer o percurso de madrugada. Não encontrei nada a preços acessíveis para lá passar a noite, por esse motivo, optei pela segunda hipótese. Planeei os últimos preparativos e deitei-me às 22.30h. A ansiedade de me meter a caminho era tanta, que me levantei antes do despertador tocar. Preparei a minha saída de casa em silêncio e por volta das 03.00h da manhã já estava na garagem a fixar a mochila no porta couves. Pensei que poderia apanhar nevoeiro, então envolvi a mochila na capa impermeável e arranquei. 

Segui em direção à estrada N222 para posteriormente, em Entre os Rios, apanhar a N106 em direção a Penafiel. A noite estava escura, a estrada era iluminada apenas pelos lampiões perto das localidades e o frio já se fazia sentir nos meus ombros e pernas. Ao passar por uma farmácia, reparei nos 4 graus celsius confirmando o motivo de ir todo encolhido. Éramos apenas dois naquela noite! Eu e a minha PX125. (profundo! 😉)

Faço a primeira paragem de 5 minutos aos 65km em Penafiel, aproveito para esticar um pouco as pernas e comer uma banana que tirei à pressa da fruteira lá de casa...
Às 04.30h sigo pela N15 até Amarante. Fazia intenção de tirar umas fotos na ponte histórica mas, perdi-me! Onde deveria ter virado à direita segui em frente... 

Parei para ver no mapa onde me encontrava e verifico que já estava afastado do centro de Amarante, dei umas voltas a uma rotunda para conferir o caminho a tomar e talvez com o frio, pensei: - Não quero pagar portagens! ... continuei pela N15 sem tão pouco saber onde me ia meter. 

As marcações da estrada eram más e em certos locais não existiam. Posso dizer, meus senhores: - Já percorri a Serra do Marão de madrugada! Em escuridão quase total, apenas a ténue luz do quarto crescente quebrava as trevas daquela noite, nas curvas o farol da vespa iluminava as árvores e vegetação, cheguei a ver uns olhos grandes e reluzentes, não faço ideia do que seria mas, nem abrandei para saber, porque senti um arrepio na espinha... estava cagado de medo! 😱
Enquanto seguia a estrada, nenhum carro passou por mim. Naquele momento, só não queria ter de parar por uma qualquer avaria. Subi a serra, passando por pequeníssimas povoações que me davam um certo animo. Preocupava-me a mochila no porta couves, esta, limitava a iluminação do farol perto da roda, andei mais de 6km em plena serra, até que por fim me deparo com a Pousada do Marão onde fiz uma pausa.

Desligo a Leia para descansarmos um pouco. Tiro o capacete e respiro o ar fresco do Marão, no momento que olho para cima aprecio uma estrela cadente a rasgar o céu... as estrelas estavam mais pronunciadas e reluzentes, os sons de alguns grilos e o chilrear dos pássaros anunciavam o despertar da alvoradaQue momento tão belo! 
O meu pensamento estava em apanhar a EN2 em Vila Real e seguir rumo até ao Km zero. 
A parte mais difícil já estava quase ultrapassada! Meto-me novamente a caminho e no alto da serra deparo-me com imensas árvores tombadas na estrada, o motivo não terá sido só dos fogos mas, a quantidade e o peso da neve do último inverno é que as terá feito tombar. Tive de ter mais atenção naquele percurso que me obrigou a fazer umas certas gincanas mas no final, prueba superada!

Chego finalmente ao ponto onde me cruzo com a EN2. Esperançado, rumo para Chaves com os primeiros raios de sol. Cheguei ao destino às 07:20h, tiro as fotos da praxe no local e o merecido descanso num café próximo.
Não percam a 3ª parte que termina em Abrantes com a receita do "doce Teixeira"!!! Muito em breve.


quinta-feira, 10 de maio de 2018

1ª Parte - Chaves/Faro pela belíssima EN2


...Por brincadeira o meu irmão disse-me:
- Já fazias a EN2 na vespa!
Eu: - Achas??? 
Quando cheguei a casa fui para a Internet fazer pesquisas. 😉
O conhecimento ganhou raízes. De Chaves a Faro, ..."muitos segmentos da estrada já eram as principais vias romanas que atravessavam a Lusitânia".
A maior estrada da Europa com 738,5Km. Como somos grandes!!!
Decididamente, tinha de fazer a N2 na minha PX125!

Preparava-me mentalmente para fazer a estrada sozinho, quando numa das pesquisas, encontro no facebook a página do Vespa Clube de Vila Real. Coincidência das coincidências, estavam a preparar-se para fazer a EN2. 😀
Consegui encaixar-me no grupo, não era grande! 3 vespas de Vila Real, uma a encontrar quando chegássemos a Góis e eu de Esmoriz. Inicialmente queriam arrancar de Vila Real, eu, queria começar em Chaves mas, sem influenciar ninguém, lá ficou combinado arrancar às 08.00h da manhã do dia 25 de abril no km zero.

Preparativos:

  • revisão na princesa Leia
  • mochila (sem esquecer a escova de dentes)
  • estimativa de custos 250.00€
  • ferramentas
  • rever o estado do tempo (prevenção em caso de chuva prevista para os 4 dias)

Revisão: Mudança do óleo da caixa; remoção e limpeza do filtro de ar com um liquido esquisito; verificação da pressão dos pneus. Ficou assim feita a revisão dos 5000 km!

2020 - Novos adornos

Decidi dar uma prenda à minha menina no inicio de 2020. Uns tacos novos para o descanso e um aro em metal para o farolim frontal. Já ti...